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Salvador, BA, Brazil
Acompanha a Formula 1 desde o início da década de 1990. Entusiasta no cuidado automotivo, leitor e colecionador de revistas especializadas e livros sobre Ayrton Senna.

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CARROS DA F1 2014 (PARTE 1) – RED BULL RACING

 
O design de um carro de Formula 1 apresenta as cores e os logotipos de seus patrocinadores. Temos pinturas clássicas como o vermelho e branco da McLaren/Marlboro, o azul, amarelo e branco da Williams/Camel/Canon, o vermelho da Ferrari, dentre muitos outros exemplos.
 
Às vésperas de mais uma temporada de Formula 1, vamos a partir de agora observar mais atentamente os principais patrocinadores que financiam e colorem as escuderias em 2014, começando pela atual campeã.
 
Lamentavelmente, a FIA tem apresentado soluções de segurança que tornam os veículos extremamente estranhos. Nunca gostei do “bico tubarão”, preferindo os modelos clássicos, existentes até a temporada de 1994. Então, surgiu o “bico de ornitorrinco”, uma aberração que comprometeu ainda mais a estética dos bólidos. Agora conseguiram chegar ao fundo do poço com estes novos e bizarros bicos. A Red Bull pelo menos conseguiu disfarçar, pintando a extremidade anterior de preto.
 
Infiniti Red Bull Racing
Nacionalidade: Áustria
Motor: Renault Energy F1 2014 Turbo 1.6 V6 24 válvulas
Sede: Milton Keynes, Reino Unido
Pilotos: Sebastian Vettel (Alemanha) e Daniel Ricciardo (Austrália)
 
 Infiniti Red Bull Racing RB10 2014
Foto: Infiniti-redbullracing.com (modificada)
 
Red Bull: empresa austríaca, fabricante de bebidas energéticas a base de cafeína e taurina. Geralmente ligada ao público jovem. Costuma patrocinar esportes radicais ou de velocidade (automobilismo, corridas aéreas).
 
 
 
Renault: montadora francesa com amplo retrospecto de vitórias na F1. Possui sua própria categoria de monopostos, a Renault World Series. Clio, Sandero e Fluence são alguns dos carros comercializados no Brasil.
  
 
 
Infiniti: linha de veículos de luxo que surgiu da união da francesa Renault com a japonesa Nissan.
 

 
 
 
 
Total: companhia de petróleo francesa, sétima maior do mundo. Comercializa combustíveis e lubrificantes. Absorveu a também francesa Elf-Aquitaine, ampla patrocinadora da F1. Patrocinou a Jordan Grand Prix de Rubens Barrichello em 1995 e 1996, permanecendo ainda com a equipe até 1997.
 

 
 
Casio: fabricante japonesa de uma série de produtos eletrônicos como relógios, câmeras digitais, instrumentos musicais (teclados) e acessórios. Possui uma linha especial de relógios vinculada à equipe. Veja aqui.
 
 
 
Siemens: conglomerado alemão ligado às telecomunicações e produção de softwares, além de uma série de outros nichos, como: equipamentos hospitalares, material elétrico, infraestrutura dos setores elétrico e nuclear, construção de trens e metrôs.
 
 
 
 
Sonax: empresa alemã produtora de itens de estética automotiva (limpeza e polimento) como ceras, produtos para limpeza e brilho de pneus, limpeza de vidros e muitos outros. Possui inclusive uma cera removedora de outras ceras, utilizada por profissionais do polimento automotivo. Patrocinou Ayrton Senna na McLaren e Williams.
  
 
 
AT & T (American Telephone and Telegraph): companhia norte-americana de telecomunicações. Empresa de telefonia e televisão à cabo.
 

 
 
 
 
 
Pepe Jeans: empresa têxtil inglesa sediada em Londres. Um de seus principais produtos é a calça jeans, apesar de comercializar diversas peças de vestuário. Responsável também pela vestimenta da equipe de F1.
 
 
 
Alpinestars: empresa italiana de botas e artefatos de proteção para motociclistas, automobilistas, ciclistas e outros.
  
 
 
Rauch: companhia austríaca de bebidas alimentícias. Apresenta uma série de produtos como: sucos, cafés, chás e isotônicos.
 

 
 
Geox: fabricante italiana de calçados e roupas. Fornece tênis e sapatilhas de corridas à escuderia rubrotaurina.
 
 
 
Joraku: tradicional fábrica de saquê japonesa.
 

 
 
 
 
 
 
 
Singha Beer: fábrica tailandesa de cervejas. Seu símbolo é um leão tailandês, que simboliza: força coragem, liderança, dignidade, perseverança e resistência.

 
 
 
 
 
Platform Computing: IBM Platform Computing na verdade. Empresa americana de softwares, mundialmente conhecida. Integra os setores de design, simulações e desenvolvimento dos bólidos.
 
 
 
 
 Red Bull Mobile: empresa austríaca de mídia multi-plataforma que abrange: TV, celular, música, cinema jogos.
 

 
 
Pirelli: fábrica italiana de pneumáticos. Fornece pneus à todas as equipes da Formula1.
 

 
 
 
Breve a parte dois: Mercedes AMG Petronas F1 Team.
 
 
Referências

 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

BLOG SENNABR - DOIS ANOS

O Blog SennaBR completou dois anos no ar no dia 21 de dezembro de 2013. Como tem acontecido ultimamente, falta tempo para novas postagens, afinal, este é um hobby e a vida moderna exige muito tempo de trabalho, estudo, dedicação à família e etc.
 

Em dezembro foram verificadas cerca de 54.000 visitas, sendo quase 40.000 neste segundo ano. Mais do que o triplo de visitações. Dentre as matérias mais visitadas:
 
1) TESTE – GOL GERAÇÃO IV (G4). Que também era a postagem líder em visitas no primeiro aniversário. Nesta matéria, falo rapidamente de todas as gerações do Gol, inclusive da reestilização do G5 (G6). Mas o enfoque foi direcionado à Geração 4, um bom carro para o fim que se destina, ainda hoje bastante presente nas revendas e nas ruas, com muita procura pelo modelo de entrada da VW. Aponto os prós (consumo/autonomia, manutenção, etc) e contras (parte elétrica instável, muito visado para roubos, etc.) deste modelo, que utilizei por quatro anos e meio.

 
 
VW Gol Geração 4
Foto: Volkswagen Brasil

2) LAVAGEM DE AUTOMÓVEIS – LAVADORAS DE ALTA PRESSÃO. Com a popularização da venda de máquinas lavadoras de alta pressão a preços acessíveis, a procura por informações sobre estes modelos tem sido grande. Aqui, abordo a utilização do modelo Karcher 1100, com o processo de montagem, formas de uso e dificuldades associadas. Bem como, dicas sobre o uso de shampoo automotivo.
 
Lavadora de alta pressão Karcher 1100
 
3) MOTOR 1.0 AINDA É O MAIS ECONÔMICO? Aqui um confronto dos motores 1.0 com outras cilindradas subsequentes, com foco no consumo. Os modelos com 1000 cilindradas já foram os mais econômicos, contudo, com a exigência de mais potência e opcionais (aumentando o peso dos veículos), pode ser mais vantajoso obter motores superiores. A forma de dirigir será decisiva no consumo de qualquer veículo.
  
 
 
4) ENCERAMENTO AUTOMOTIVO – CERAS COLLINITE 476S E 915. A matéria mais comentada do blog até o momento, com fotos de carros encerados com estes excelentes produtos. Com o advento da tecnologia estética automotiva, uma série de itens tem surgido no mercado. Nesta postagem abordo um pouco do passado das ceras no mercado nacional, e dou dicas de material para o enceramento, abordando duas das melhores ceras disponíveis atualmente.
 
Sandero com Collinite 476S e o aspecto de "brilho molhado"
 
 
5) COLEÇÃO AYRTON SENNA - CARTÕES TELEFÔNICOS. Uma mídia interessante, podendo equiparar-se à filatelia. Colecionadores de cartões telefônicos fãs de Ayrton Senna costumam visitar a página buscando conhecer esta coleção. Os cartões possuem fotos do piloto e dos carros utilizados em diferentes épocas de sua carreira.
 
Cartão Telefônico - Ayrton Senna
 
Os posts seguintes mais acessados referem-se a informações sobre Ayrton Senna, como filmes, aniversário e jogos de videogame.
 
Brasil, Estados Unidos, Portugal e Rússia continuam sendo os países com maiores acessos às matérias.
 
Assim que houver mais tempo, o blog apresentará informações mais detalhadas da carreira de Senna, buscando manter uma ordem cronológica, já iniciada em 1983, com a passagem pela Formula 3os primeiros testes na Formula 1, e o contrato para 1984. A F1 2014 também será abordada, com um enfoque diferente do habitual.
 
 
 
Abraços e seguiremos acelerando.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

AUTOMOBILISMO E MÚSICA (PARTE 1): COSMIC GIRL - JAMIROQUAI

O blog já tem uma seção sobre AUTOMOBILISMO NO CINEMA, que abordou o filme Dias de Trovão. Penso em estendê-la a filmes que abordem não só competições (já que limitaria a poucas películas), mas também a filmes que abranjam carros em geral, como De Volta para o Futuro (Back to the Future), Quem não Corre Voa (The Cannonball Run), etc. Contudo, pensava em fazer outra seção, com músicas que apresentam em suas letras e clipes menções aos veículos automotores. A ideia surgiu em mais uma jornada diária de trânsito, quando ouço no rádio:
 
So remember when we were driving, driving in your car
Speed so fast feel like I was drunk
City lights lay out before us
And your arm felt nice wrapped round my shoulder
And I had the feeling that I belonged
And I had a feeling I could be someone, be someone, be someone
 
Fast Car – Tracy Chapman, que será explanada em outra oportunidade.
Hoje, zappeando os canais da SKY, parei no TCM, canal de filmes antigos, que costuma exibir filmes e séries da época que mais gosto: os Anos 1980-1990. Fim do episódio de Miami Vice, mudo o canal por uns instantes e retorno. Estava passando um videoclipe, que geralmente é exibido antes de um filme (Prévia TCM, ou Videoclipes TCM Grandes Êxitos Vol. 1). O filme de hoje: Negócio Arriscado (Risky Bussiness) de 1983, com Tom Cruise e Rebecca De Mornay que também apresenta um Porsche. Voltando ao clipe, levei algum tempo para reconhecer. Três carros esportivos realizando curvas velozes, em um tipo de corrida urbana, em estradas comuns. Então, um trecho da música me remete à 1997 (“she is just a cosmic girl...”), bons tempos da MTV Brasil, em uma época pré-internet, passava algumas madrugadas assistindo clipes. Havia muito mais música que programas monótonos da fase recente. Tratava-se justamente da música: Cosmic Girl, do grupo britânico Jamiroquai.

Ferrari F355 em uma das tomadas do clipe
Fonte: Imcdb.org
          
Lembrei que na época assistia o clipe impressionado com aquelas máquinas, três grandes esportivos, que eventualmente via nas Revistas Motor Show, que colecionava. Então sempre que a MTV exibia, parava para assistir.


Cosmic Girl - Jamiroquai


Tratam-se dos seguintes carros: o clipe inicia com uma Lamborghini Diablo SE30, cor roxa, parada no acostamento. Ao fundo, com faróis escamoteáveis acesos, surge uma Ferrari F335 Berlinetta preta, ainda não muito visível. A seguir, focaliza-se uma Ferrari F40 vermelha ao lado da Lamborghini (e suas clássicas portas que abrem para cima), ainda estáticas. A Ferrari F335 passa em alta velocidade e os ocupantes das demais máquinas passam a seguí-la. A partir daí, revezam-se imagens do vocalista Jay Kay pilotando e cantando, com excelentes tomadas dos bólidos. É como bálsamo para os fãs de automobilismo, que imaginam-se guiando os foguetes (à época, com 19 anos, tinha em meu quarto pôsteres com a F335 e com a Ferrari F50).  A música, moderna, mas com forte influência dos anos 1970, lembra alguns temas de Arcades (jogos de fliperama) da época. O clipe em alguns momentos lembra comercial de carros, mas Jay é um grande fã de automobilismo, e levou sua paixão para as telas. Ao final, a Lamborghini em uma passagem em alta velocidade, tal qual a F335 do início.
Álbum: Traveling Without Moving - Jamiroquai. Simulando o logo da Ferrari

Abaixo é possível vê-lo em sua casa com um casaco da Ferrari, em uma pequena demonstração de corrida de carros-gaiola, além de apresentar sua coleção automotiva.


Jay Kay Car Collection

Lembrava de Jamiroquai em outro clipe famoso e bem criativo: Virtual Insanity. Ouvia e pensava que o cara era um Steve Wonder cover, tal semelhança entre as vozes.
Paro por aqui para rever mais algumas vezes o videoclipe Cosmic Girl. Até a próxima.

Veja também:
AUTOMOBILISMO E MÚSICA (PARTE2): FASTER - GEORGE HARRISON. HOMENAGEM A SENNA, TV MANCHETE, 1994  

Referências

terça-feira, 12 de novembro de 2013

FELIPE MASSA E A F1 2014 (PARTE 2)

Após uma série de especulações que colocavam o brasileiro Felipe Massa na equipe Williams. O time inglês confirma o piloto para a próxima temporada, no lugar do venezuelano Pastor Maldonado e ao lado do finlandês Valtteri Bottas.
 
Um dia após a festa de despedida da Ferrari, Felipe Massa foi anunciado como piloto da equipe Williams-Mercedes para a temporada de 2014. A equipe descreve o brasileiro como “experiente, talentoso e comprovadamente vencedor”, com 11 vitórias, 36 pódios e quase campeão em 2008, em uma disputa apertada. Ressalta também seu trabalho na conquista dos títulos de construtores em 2007 e 2008.


 Felipe Massa visitando a sede da Williams e anunciando o contrato

Nos tempos de criança em que apenas assistia a Formula 1, Felipe colocava a Williams entre as três equipes que gostaria de correr, ao lado de Ferrari e McLaren. Massa afirma também que vários e importantes brasileiros integraram a equipe, havendo uma forte ligação desta com o público brasileiro (contudo a maior lembrança que fica para o Brasil é a morte de Ayrton Senna).
 
O brasileiro espera que com a mudança nas regras para o ano que vem, aliada com sua experiência e motivação, a Williams F1 possa superar o atual momento ruim e encontrar uma direção certa.

 
Williams F1 Team Logo
Imagem: Williams F1
 
Muito se falou nos últimos dias sobre o destino de Massa. A Williams, tradicional equipe, vencedora nos anos 1980 e 1990, terá uma boa oportunidade de se reerguer no próximo ano, em contrapartida à péssima temporada atual. Quatro dos cinco maiores pilotos brasileiros pilotaram pela equipe: em ordem cronológica: Nelson Piquet (1986-87), Ayrton Senna (1994), Rubens Barrichello (2010-11) e agora Felipe Massa (a exceção é Emerson Fittipaldi). Antonio Pizzonia (2004-05) e Bruno Senna (2012) também pilotaram os carros ingleses. Como dito na PRIMEIRA PARTE DESTA POSTAGEM, parece ter havido uma influência da Rede Globo na manutenção de Massa na F1, de modo a haver pelo menos um piloto brasileiro na categoria, assegurando os interesses comerciais da emissora com o esporte.
 
A Petrobras, que já foi confirmada como anunciante comercial nas transmissões da F1 2014, poderá retomar a parceria com a Williams, já que a petrolífera venezuelana PDVSA deixará a equipe, juntamente com Maldonado, arcando com boa parte da multa de €30.000.000,00 pelo rompimento antes do fim do contrato que estava válido até 2015.

 
Motor Mercedes V6 turbo 1.6 litros que equipará a Williams em 2014
 
A Williams aposta na experiência de Massa e na juventude e ímpeto de Bottas, para realizar uma boa temporada em 2014. Com o novo regulamento, o peso do piloto será determinante para a distribuição de lastro, visando equilibrar melhor o chassi. Como Felipe é um dos pilotos mais leves do grid, contribuirá com a equipe neste item.

Massa anunciando o contrato com a Williams

Quem acompanhou a Formula 1, no final dos aos 1980 e início dos 1990, sabe a força e a tradição vencedora que a equipe Williams possuía. As cores azul, amarelo e branco (como relatado no post sobre os CARROS MAIS BONITOS DA F1) eram sinônimo de vitória e desempenho de alto nível, em uma época na qual o uso e desenvolvimento da tecnologia eletrônica era admitida e incentivada. Os carros de Nigel Mansell em 1992 e Alain Prost em 1993 representavam o ideal da ciência automotiva daquele momento. Espera-se que a parceria Williams-Mercedes e Massa possa trazer novas expectativas de melhores resultados ao brasileiro, que desde que a Ferrari anunciou que não iria renovar seu contrato, vem alcançando boas posições, ao contrariar as ordens da equipe contestando-as, como quando sugeriu uso de pneus que o prejudicariam colocando-o atrás de Fernando Alonso.

 
 Felipe Massa

Massa já mostrou que é competitivo, vencendo por duas vezes o GP de Interlagos, em 2006 (primeiro e atualmente único brasileiro a vencer em casa após a vitória de Senna em 1993) e 2008, ano que quase sagrou-se campeão, por um ponto de diferença. Agora rumo a 2014, sem ter que se submeter a ser o segundo piloto da equipe. O contrato é válido até 2015, podendo prorrogar até 2016.

 
 
Massa e Frank Williams

 

Referências

 
Terra F1
Terra F1
Wikipedia - Williams F1
Williams F1

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

OS PRIMEIROS TESTES DE SENNA NA F1 (1983) E O ACERTO PARA 1984

“Ayrton Senna foi tão bem no teste com um Formula 1, na Inglaterra, que ninguém duvida: ele será o próximo brasileiro na categoria, e com condições de exigir um bom contrato”. Revista Quatro Rodas, agosto/1983.
 
 
Senna em seus primeiros testes com carros de F1. Williams, McLaren e Toleman
 
19 de julho de 1983. Donington, Inglaterra. “É hoje!”. Disse Senna ao chegar aos boxes da Williams para seu primeiro teste na Formula 1, dando um tapinha no aerofólio. E foi mesmo. Senna pilotou o Williams-Ford/Cosworth FW08C 3.0 V8 aspirado (premiação concedida ao campeão da F3 inglesa) reserva de Keke Rosberg para o GP da Inglaterra, realizado dois dias antes, e com 20 cavalos a menos que o bólido principal, além de guiar com 75 litros a mais que o necessário, por solicitação de Williams, temendo pela integridade do piloto e do carro, além dos pneus de corridas usados, em vez de pneus de classificação, mais velozes. O banco também estava ajustado para as dimensões do finlandês. A partir da terceira volta, Senna bateu o tempo de Jonathan Palmer, piloto de testes da equipe e também da F2 Europeia, baixando em um segundo a melhor marca da pista.
 
Comentário de Frank Williams após Senna bater o recorde da pista de Donington para motores aspirados (1:00:05): “Fantástico!”. Frank havia preparado um plano de adaptação para Ayrton, mas não foi necessário, sua adaptação foi imediata. Senna já despertava a atenção da mídia brasileira, que transmitiu provas da F3 e acompanhou os testes na F1, com a presença de Reginaldo Leme.
 
Senna testando a Williams-Cosworth de 1983
Foto: Revista Quatro Rodas, Ano XXIII. Nº277. Pg. 151. Editora Abril. Agosto-1983.
 
Após o teste, Frank disse a Ayrton: “Não assine com ninguém antes de falar comigo”. Mas Williams já tinha outros pilotos sob contrato. Posteriormente, o britânico afirmou que foi bom para Senna não ter sido contratado naquele período, já que o carro do ano seguinte revelou-se bem problemático (apesar de uma vitória e um segundo lugar de Rosberg), com várias retiradas.
 
 25 de outubro de 1983. Silverstone, Inglaterra. Ao testar a McLaren-Ford/Cosworth MP4/1C (Mrlbr Project Four) 3.0 V8 aspirado (primeiro carro a utilizar fibra de carbono em seu monocoque), em Silverstone (juntamente com Martin Brundle e Stefan Belof, superando ambos), Senna afirma ter se sentido bastante confortável ao guiar o carro, obtendo resultados melhores do que esperava e observando a importância que um carro rápido e bem acertado tem para o bom desempenho do piloto. O que Ron Dennis se propôs a oferecer a Senna foi a posição de piloto de testes, mas sem perspectivas de assumir um dos postos, (algo semelhante ao que Frank Williams propunha) visto que contava com Alain Prost e o então bicampeão Niki Lauda. Senna declinou.
 
 
McLaren-Ford, 1983
 
 09 de novembro de 1983. Silverstone, Inglaterra. No teste com a Toleman-Hart TG183B 415T 1.5 L4 Turbo, Senna experimentou pela primeira vez um motor com turbocompressor. Os Ford/Cosworth aspirados que testara possuíam cerca de 510cv, enquanto que o Hart turbo alcançava cerca de 600cv. Os motores turbo também possuíam uma peculiaridade denominada “turbo lag”. Consistia em uma reação retardada do motor ao se pressionar o acelerador, que respondia com algum atraso mas de forma abrupta, acarretando em uma pancada na nuca, devido ao forte empuxo. Chris Witty, homem de marketing da Toleman, lembra de como Senna descreveu de forma precisa a Rory Byrne, o projetista da equipe, como estava e como queria o ajuste do turbo. Byrne disse: “Senna é o cara. Ele é brilhante. Nós temos que contratá-lo”. Com a pista molhada, Ayrton marcou 1:12:04 com pneus de corrida, marca mais rápida que a de Derek Warwick, titular da equipe com pneus de classificação. À tarde, com alguns ajustes e pista mais seca, Senna marca uma volta de 1:11:05, que lhe conferiria a quinta colocação no GP daquele ano, à frente das Brabham-BMW.
 
Toleman-Hart de 1983
Foto: Flickr.com
 
14 de novembro de 1983. Paul Ricard, França. Senna testa a Brabham-BMW M12 1.5 L4 Turbo, um sofisticado projeto de Gordon Murray que deu o segundo título a Nelson Piquet. Um dos primeiros capítulos da rivalidade Senna vs Piquet. Bernie Ecclestone, almejava contratar o brasileiro, mas a Parmalat, principal patrocinadora, preferia ter um americano ao lado de Piquet, que também não queria o compatriota na equipe, alegando que nunca iriam se dar bem, por serem brasileiros (?!?). Bernie, a exemplo de outros proprietários de equipes, estava de olho na jovem promessa e disse que Senna era mais veloz que Piquet, e por isto ele não o queria na equipe. Piquet deu algumas voltas para ajustar o carro, em seguida colocou pneus novos e marcou 1:06:00, Senna e Mauro Baldi marcaram tempos próximos, com 1:06s acima de Piquet, Senna 0,1s acima de Baldi. Ayrton disse que foi o pior teste que fez, sentindo-se desconfortável com a Brabham. Reginaldo Leme, que acompanhou seu teste com a Williams, acredita que o carro estava um pouco diferente, com a interferência de Gordon Murray. Há várias versões sobre este teste, uma delas afirmando que Piquet vetou Senna, com testemunhos de Herbie Blash, diretor da equipe, Cris Witty, da Toleman, que participou das negociações e o próprio Senna.
 
 
Brabham-BMW, 1983
 
Senna disse que Williams e Brabham não ofereceram uma proposta tal como ele esperava. Bernie Ecclestone, tinha fama de não pagar grandes salários a seus pilotos. Senna, desde outras categorias, sabia o seu valor, e mesmo enquanto desconhecido, exigia bastante das escuderias. Um dos donos uma vez perguntou: “Quem diabos ele pensa que é?”. McLaren e Williams desejavam contratar Senna apenas para 1985, sem maiores garantias de que iriam ceder um assento ao piloto.
 
A Lotus, apesar de não ter oferecido o carro para Senna testar, também tinha interesse em formar uma dupla com Ayrton e Elio de Angelis. Mas, os patrocinadores ingleses pressionaram para Nigel Mansell ocupar seu lugar, e assim aconteceu.
 
Dick Bennett, chefe de equipe de sua escuderia na F3, também havia convidado Senna para disputar o campeonato europeu de F2.
 
Senna também ocupou o posto de piloto de testes da Pirelli, que fornecia pneus para Toleman, Osella, Spirit e ATS.
 
 
Senna e a Toleman em 1984
 
Como característica da época, notamos a insegurança na realização de testes, sem a presença evidente de equipes de resgate. Além da fragilidade do cockpit, fato evidenciado no ano seguinte em um acidente com a Toleman de Cecotto.
 
Ayrton queria o posto de piloto titular, oferecido apenas pela Toleman. Ele via a equipe incapaz de disputar com Ferrari, Renault e Brabham, mas com potencial de disputar o pódio, talvez já em 1984. Senna assina então um contrato de três anos com a Toleman, equipe média que entrava em seu quarto ano, assumindo o primeiro posto. Dentre as cláusulas, Senna exigiu que caso o carro não se apresentasse competitivo, rescindiria o contrato. Um carro mediano, mas, como veremos em breve, possibilitou a Ayrton mostrar a que veio.
 
Senna fala sobre seu contrato com a Toleman
 
Curiosidade: a Toleman foi comprada pela Benetton, que foi comprada pela Renault, hoje denominada Lotus.
 
 
Referências
 
HILTON, Christopher. Ayrton Senna: uma lenda a toda velocidade: uma jornada interativa. São Paulo, Ed. Global, 2009.
Revista Quatro Rodas Ano XXIV. Nº280. Pg. 186. Editora Abril. Novembro-1983.
Revista Quatro Rodas Ano XXIV. Nº283. Pg. 135. Editora Abril. Fevereiro-1984.
RODRIGUES, Ernesto. Ayrton: o herói revelado. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2009.