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Salvador, BA, Brazil
Acompanha a Formula 1 desde o início da década de 1990. Entusiasta no cuidado automotivo, leitor e colecionador de revistas especializadas e livros sobre Ayrton Senna.

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

DEZENOVE ANOS DA MORTE DE AYRTON SENNA

O tempo passa mais rápido quando estamos ocupados, e vemos determinadas datas completarem cinco, dez, quinze anos. Como é hábito aqui no blog, destaco o legado deixado por Ayrton, e presente, após 19 anos.
 
GP da Europa, Donington Park, 1993
Foto: To Ayrton
 
No dia 11 de abril de 2013, fez-se 20 anos do GP da Europa de Formula 1, realizado no circuito de Donington Park, na Inglaterra. Senna vinha de um segundo lugar na África do Sul e da vitória do GP do Brasil, liderando o campeonato de forma surpreendente, já que sua McLaren-Ford não contava com todas as assistências eletrônicas que as fantásticas Williams-Renault. Senna vence e amplia temporariamente a liderança, mas em pista seca e nos circuitos de alta velocidade, não há como acompanhar os carros anglo-franceses.
 
Senna e a McLaren-Ford MP4/8 em Donington
 
Mas não foi uma simples vitória. Senna larga na quarta posição (o que era uma constante, visto que além das Williams, a Benetton-Ford de Schumacher costumava classificar na terceira posição, já que era cliente preferencial da montadora americana, e recebia primeiramente as atualizações, além do chassi bem equilibrado), cai momentaneamente para quinto, e antes de completar a primeira volta, utilizando pontos de ultrapassagens inimagináveis e com a pista completamente molhada, assume a primeira posição.
 
Esta que é considerada a melhor primeira volta da história da F1.
 
Donington, 1993 - Primeira Volta
 
Para assistir a corrida completa, acesse o vídeo:
 
GP da Europa, 1993 - Corrida Completa
 
Com a constante mudança de tempo, Prost trocou de pneus sete vezes, Hill seis e Senna quatro. A Williams esgotou seus jogos de pneus para esta corrida. Senna, conhecido por sua habilidade na chuva, utilizava de um expediente inusitado para se manter competitivo em pista molhada: enquanto os demais pilotos guiavam com cautela, reduzindo a velocidade, o brasileiro aumentava a velocidade e a agressividade. Era uma forma de manter a pressão e a temperatura dos pneus elevadas, fornecendo melhor aderência. Senna, com pneus slick, andou três segundos mais rápido que Prost, com pneus de chuva.
 
Senna, McLaren-Ford MP4/8, 1993
 
No dia seguinte ao GP, Emerson Fittipaldi ligou para Ayrton e disse: “Você nunca mais faz uma dessa na vida. Isso não existe!”.
James Hunt: “Você já fez o que tinha de fazer este ano”.
Dias após a corrida Prost assinalou: “Ele é simplesmente imbatível. O que fez naquela primeira volta deixou todos os pilotos aturdidos. Foi inacreditável”.
Niki Lauda: “Nunca vi uma corrida assim. Você foi ao limite do ser humano nas condições que tinha. Foi a sua melhor corrida até agora”.
 
Na premiação, Senna recebe um troféu em forma de Sonic, mascote da Sega, patrocinador da Williams e principal marca do GP. Uma surpresa e tanto para os gamemaníacos da época, no auge dos consoles 16 bits, Mega Drive/Genesis no caso. Foi um fato comentado por muitos amigos no dia seguinte, naqueles idos de 1993. Lembro de ver um sujeito no pódio vestido de forma que me fez lembrar o Dr. Robotnik, vilão do jogo do Sonic. Era o proprietário do circuito, Tom Wheatcroft, que nos dias anteriores ouvia as críticas da imprensa, sobre a realização de uma corrida de Formula 1 em um traçado relegado a categorias menores de carros e motos, sem pontos de ultrapassagens, o que acarretaria em uma prova chata sem disputas. Estava extasiado, pois Senna demonstrou que era possível ultrapassar, e o fez em menos de uma volta, no circuito onde dez anos antes testava carros de F1 pela primeira vez.
 
No pódio com o troféu Sega Genesis Sonic
Foto: Sharonov
 
Rubens Barrichello também fez uma excelente prova, saltando da 12° posição para a 4° também na primeira volta, em sua terceira corrida na F1. Chegou a andar em segundo, mas o carro sofreu uma pane seca, ocultada pela equipe que disse tratar-se de uma pane elétrica
 
A McLaren 1993, no Museu de Donington
Foto: F1 Fanatic
 
A McLaren-Ford MP4/8, encontra-se no museu de Donington, assim como diversos outros artigos que ilustram a carreira de Senna.
 
"Sempre é possível melhorar, e eu quero acreditar que a próxima corrida será sempre melhor". Ayrton Senna em entrevista após o GP.
 
Referências
 
HILTON, Christopher. Ayrton Senna: uma lenda a toda velocidade: uma jornada interativa. São Paulo, Ed. Global, 2009
 
RODRIGUES, Ernesto. Ayrton: o herói revelado. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2009.
 
STURM, Karin. Ayrton Senna: sua vitória, seu legado. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1994.
 

terça-feira, 1 de maio de 2012

DEZOITO ANOS DA MORTE DE AYRTON SENNA. COLEÇÃO AYRTON SENNA - LIVROS

Primeiro de maio de 2012, 18 anos da morte de Ayrton Senna. Uma data que remete àquele fim de semana de absurdos, que culminaram na morte de dois pilotos.
A lembrança daquela época traz de volta o sentimento de perda e angústia, por ver interrompida uma carreira que certamente traria ainda muitas vitórias para o Brasil, visto que seria três anos na Williams e talvez a aposentadoria na Ferrari, em 1997, como o piloto sempre desejou, e quem sabe construção do Ayrton Senna Team, sua própria equipe com talentos brasileiros, talvez até Bruno Senna, enfim, especulações.
Por outro lado, a partir de então revelou-se uma outra face do piloto. A do ser humano, que longe dos holofotes da mídia realizava doações regulares a hospitais, instituições e pessoas necessitadas. É o que diferia Senna de outros pilotos, de outros esportistas, de outras pessoas.

 
Foto: Deviantart

“Vai o homem, mas fica seu legado”. Não somente o legado de conquistas, mas também e principalmente seu legado moral. Um exemplo em uma época de um país desacreditado.
E para lembrar ou conhecer mais de perto sua história, seguem algumas indicações de livros:



Obrigado Ayrton, do italiano Paolo D’Alessio. Li este livro em alguns dias visitando diariamente a livraria Civilização Brasileira da Avenida Sete de Setembro, Centro de Salvador, em 1995, cerca de um ano após a morte de Senna. Anos após consegui comprá-lo por apenas R$10,00. É na verdade um registro fotográfico da carreira do piloto na Formula 1, com excelentes imagens e um texto melancólico em muitos momentos (já que foi publicado ainda em 1994), e uma narrativa sucinta sobre cada temporada. O livro traz ainda listas com local e data de todas as suas pole positions e vitórias, algo muito interessante em uma época pré-internet.

 Foto: Julianlivros

Ayrton Senna. Sua Vitória, Seu Legado, da alemã Karin Sturm. Este foi o primeiro que comprei (fui presenteado na verdade) sobre Ayrton Senna, por volta de 1996-97. Prefaciado por Gerhard Berger, seu amigo mais próximo no paddock. Apresenta uma narrativa não linear, com idas e vindas sobre a carreira do piloto, com bons detalhes técnicos e muitas fotos, em capítulos assim denominados: Vencer é como uma droga – As mais belas vitórias de uma carreira de sonhos; Apenas somos totalmente diferentes - A longa disputa com Alain Prost; Não se consegue vencer o sistema – As lutas com o poder e as críticas; O maior desafio – Mônaco, um lugar especial; Limite máximo – Senna o rei da pole position; Magic Senna – A busca da perfeição absoluta; Eu não sou máquina – O outro lado de Ayrton Senna, dentre outros. O livro apresenta também uma série de declarações de Senna à imprensa, e detalhados episódios ocorridos nas pistas, como após vencer em Donington em 1993: “Ganhar com material inferior, mostrar, enfim quem era o melhor, isso o gratificava muito”. Além de citações e depoimentos de pilotos como Martin Brundle, H.H. Frentzen e David Coulthard, além de Ron Dennis e Frank Williams. Informa também no final seus títulos conquistados no kart e o resultado de todas as corridas desde a Formula Ford 1600 até a Formula 1.
Foto: Messias

Ayrton Senna. Uma lenda a toda velocidade – Uma jornada interativa, do inglês Christopher Hilton, autor também de outros livros sobre Senna e outros pilotos. Este é um livro mais recente, adquirido em 2010. É uma edição de luxo que vem em uma caixa, e traz como diferencial uma série de cópias de documentos, como credenciais de acesso às pistas, adesivos comemorativos de vitórias e títulos, cartões de equipes, tabelas de cronometragem, cartas etc. De fato uma jornada interativa. Apresenta também vários relatos, descrições de corridas, entrevistas e muitas e ótimas fotos. Este livro promete mostrar um lado mais pessoal do piloto, mas acredito que neste ponto o próximo livro teve mais êxito.

Foto: Areavip

Ayrton – O Herói Revelado, do brasileiro Ernesto Rodrigues. Adquirido há poucos dias com grande dificuldade, pois foi lançado em 2004 e não conseguia encontrar à venda exemplares novos, apenas usados, mas localizei em uma loja virtual. Edição de bolso com cerca de 700 páginas que serão rapidamente devoradas. Há uma edição maior com fotos, mas não estava disponível. Aqui encontram-se relatos de dentro e fora das pistas, contudo com maior enfoque no homem Ayrton do que no mito Senna, suas experiências, erros e acertos, a exemplo de um diário, porém, escrito por outra pessoa, bem diferente dos livros publicados por outros autores.

Foto: Todaoferta

Primeiro de maio de 1994, um dia triste em que assistia a uma corrida aos 16 anos, enquanto “arranhava” o violão tentando aprender a tocar Unchained Melody com uma revista cifrada. Primeiro de maio de 2012, alternando entre o computador e minha filha de um ano que acabara de acordar (que eventualmente assiste comigo os GPs) e que tentou insistentemente participar deste texto teclando comigo. “Vai o homem, mas fica seu legado”.
Vídeo: Mensagem de Ayrton Senna
 
 
Veja também: