Este Blog tem como objetivos: trazer informações técnicas, teóricas e empíricas sobre automóveis de rua (características, consumo, manutenção, comparativos, cuidados com lavagem e enceramento); rever a história do piloto Ayrton Senna, detalhando os GPs disputados; comentar eventualmente a F1 atual e outras categorias, utilizando elementos de metodologia científica na elaboração dos textos.
Acompanha a Formula 1 desde o início da década de 1990. Entusiasta no cuidado automotivo, leitor e colecionador de revistas especializadas e livros sobre Ayrton Senna.
A McLaren-Honda MP4/30 foi apresentada,
com muitas expectativas sobre seu layout.
Iriam realmente resgatar os tradicionais vermelho e branco de outros tempos, da
vitoriosa parceria McLaren-Honda/Marlboro?
McLaren-Honda
Nacionalidade: Inglaterra
Motor: Honda Turbo 1.6 V6 24 válvulas
Sede: Silverstone, Inglaterra
Pilotos: Fernando Alonso (Espanha) e
Jenson Button (Inglaterra)
O time inglês optou por manter os
tradicionais preto e prata característicos de temporadas anteriores e
utilizados desde 1997, com o início da parceria McLaren-Mercedes. O diferencial
é a maior ocorrência da cor vermelha, com uma listra que envolve o cockpit, estendendo-se até o bico.
A exemplo de anos anteriores, surgem
possíveis designs que seriam
utilizados pelos times. Desta vez, o vermelho e branco, dados como certos
ficaram apenas na especulação. Este seria um belo modelo:
Será um ano de aprendizado e muito
trabalho, visando melhores desempenhos nos anos seguintes, visto que o novo
motor Honda começará do zero, necessitando de quilometragem para seu
desenvolvimento, a exemplo dos times em 2014, que passaram por quebras e
decepções com os novos motores turbo.
Fernando Alonso retorna à equipe,
cansado de não obter um carro vencedor na Ferrari. O experiente Button segue
por mais um ano, cada vez mais próximo da aposentadoria.
Patrocinadores presentes no carro:
Mobil1: marcas conhecidas - Exxon Mobil,
Esso e Mobil1. Tradicional empresa americana fornecedora de combustível e lubrificantes
de alta performance, parceira da McLaren há 20 anos. No início dos anos 1990
havia comerciais da Esso antes e após as transmissões da F1, creio que este foi
traduzido na época:
KPMG: empresa que presta serviços de
auditoria e consultoria financeira, tributação, planejamento, análises
preditivas dentre outros.
CNN (Cable News Network): canal
americano, primeiro a transmitir notícias 24 horas por dia. A rede de
comunicação tem alcance de 385 milhões de famílias.
Hilton HHonors: programa de fidelidade
da rede de hotéis de origem americana com mais de 4200 unidades em 93 países.
Pirelli: fábrica italiana de
pneumáticos. Fornece pneus a todas as equipes da Formula1.
Retomando a abordagem de carros da F1, com atenção especial
aos patrocínios, a exemplo da RBR 2014 e do capacete de Senna de 1993 vamos observar mais atentamente o carro da Force India, primeiro
apresentado para a temporada 2015.
Sahara Force India F1
Team Nacionalidade: Inglaterra Motor: Mercedes Turbo 1.6 V6 24 válvulas Sede: Silverstone, Inglaterra Pilotos: Sergio Pérez (México) e Nico Hülkenberg (Alemanha)
A equipe vem
gradualmente abandonando a tonalidade branca de seus carros. No ano anterior,
predominou a cor preta e agora, surge o prata, aproximando o design com a
McLaren de outras temporadas. O laranja limitou-se a faixas laterais e ao
aerofólio traseiro e o verde praticamente limitou-se a um detalhe também no
fundo do bólido.
Um ponto interessante é a posição baixa do bico do carro, em
comparação com os designs grotescos da temporada anterior. Lembra um pouco os modelos
tradicionais do início da década de 1990, um ponto forte para os espectadores
saudosistas, talvez seja uma tendência do regulamento atual a ser adotada por outras equipes.
O carro na verdade é um híbrido 2014/2015, VJM07/08 pois
trata-se do chassi do ano passado com o novo bico adaptado. Apresenta muitas semelhanças com o carro da Mercedes 2014, campeã do campeonato de pilotos e de construtores.
Vamos então conhecer mais detalhadamente alguns dos seus patrocinadores:
Kingfisher: cervejaria
indiana com mais de 150 anos de fundação. Possui cerca de 33 fábricas na Índia.
Alega possuir 54% do mercado nacional.
Claro: empresa de
telecomunicações subsidiária da America Móvil. Intitula-se a maior da América
Latina, operando em 16 países, inclusive Brasil. Patrocinadora pessoal do
mexicano Sergio Pérez e decisiva na contratação do piloto.
Royal Challenge:
marca indiana de whisky, surgida nos anos 1980. Composição de maltes escoceses
e indianos, aliados a melaço e álcool destilado (denominado “neutral spirit”).Para quem gosta de whisky, parece ser uma combinação curiosa. Denominado
por alguns como rum.
NEC (Nippon Electric
Company): multinacional japonesa de tecnologia da informação, serviços de telecomunicações,
soluções de rede, e dispositivos eletrônicos. No Brasil os jogadores de videogame
dos anos 1990 lembrarão de um de seus produtos, o TurboGrafx-16, console de
quarta geração (contemporâneo do Mega Drive e Super Nintendo), pouco vendido no
país mas com boa repercussão nas revistas especializadas da época. Outro
produto atual em que possui participação: computadores Lenovo.
Telcel: companhia
mexicana de tecnologia “wireless”. Opera
desde 1989.
Telmex: provedora
mexicana de serviços de telecomunicações. Oferece serviços de redes locais e de
longas distâncias.
UB Group: maior
cervejaria da Índia e segunda maior do mundo. Dona da marca Kingfisher.
Smirnoff: vodka
flavorizada mais vendida da América do Norte. Marca tradicional originária de
uma companhia russa, atualmente pertencente ao grupo britânico Diageo.
Consumida em cerca de 130 países.
Quaker State: empresa
americana atuante no ramo de lubrificantes, filtros e fluidos automotivos, com
representação comercial em 45 países. Criada em 1931 com a junção de 19
empresas. Antiga Pennzoil, tradicional patrocinadora da Formula Indy, inclusive
do franco-brasileiro Gil de Ferran. Adquirida em 2002 pela Shell Oil Company. Nome
originário do estado da Pensilvânia, que em seu passado colonial abrigava
seguidores da religião Quaker.
Gil de Ferran e o patrocínio da Pennzoil. Reynard Honda - Hall Racing, 1995
Com a repercussão da morte de Ayrton Senna, uma série de
reportagens e homenagens foram realizadas. À época, estranhava que emissoras
como a TV Cultura (TV Educativa) e Rede Manchete veiculassem imagens da Formula
1, visto que a Globo detinha os direitos de transmissão. Em geral eram pequenos
informes, mas elas também realizavam entrevistas, especialmente durante o GP do
Brasil.
Nos idos de 1994, pouco após a morte do piloto, lembro de
mudar os canais e ver na TV Manchete um repórter anunciar algo como: “no próximo bloco, Ayrton
Senna”. Segue-se então um clipe com imagens do tricampeão e uma música que
parece ter sido escrita para ele. Lembro de ter gravado em VHS e ainda dispor
da fita, mas sabe-se lá se após 20 anos ainda está íntegra, além da falta de
tempo e material para digitalizar meu acervo.
Contudo, pesquisei no Youtube os termos: “Ayrton Senna TV
Manchete”, visando averiguar se alguém mais disponha do material e pôde
digitalizar e eis que encontro:
Homenagem a Ayrton Senna, TV manchete: Faster - George Harrison
Comparando hoje, a tradução foi meio forçada na época, mas
ainda dentro do contexto. Parece ter sido escrito para Senna em razão de
trechos como: Faster than a bullet from a gun/Mais rápido que a bala de uma arma; No one knows quite how he does
it but it's true, they say/Muitos não
sabem como ele consegue mas é real!/ He's the master of going faster/Ele é o mestre da velocidade. Esta parte
em especial, pois algum piloto, Brundle ou Lauda, não tenho certeza, disse que
ao ser ultrapassado por Senna, parecia que alguém com oito braços dirigia o
carro, ou outro trecho que diz que ao pilotar um kart e patinar em curvas, você
perde velocidade, mas Senna conseguia fazê-lo e ir mais rápido que os outros,
dito no documentário “Senna”, creio.
Outra passagem, que demonstra como algumas pessoas se
referem a Ayrton, por viveram à sua sombra, mesmo após tanto tempo:
Still the
crowds came pouring in
E as multidões o consagraram
Some had
hoped to see him fail
E alguns ainda
desejariam derrubá-lo
Filling
their hearts with jealousies
Enchendo seus corações de inveja
Crazy
people with love so frail.
Que loucura! Pessoas
com coração tão fraco
Parece realmente que foi feita para Senna, mas na verdade
trata-se de uma música composta por George Harrison, lançada no disco de mesmo
nome, em 1979. O ex-Beatle costumava acompanhar os GPs e tinha amizade com pilotos
como Niki Lauda, Emerson Fittipaldi e Jackie Stewart. Ele dedicou o álbum a
todo o circo da Formula 1 e à memória de Ronnie Peterson, piloto sueco falecido
em decorrência de um acidente ocorrido no GP de Monza, em 1978. Os recursos
obtidos com a venda do single foram
revertidos ao Gunnar Nilsson Cancer Fund,
fundo de assistência para o câncer, criado pelo piloto sueco Gunnar Nilsson,
amigo de Peterson, que faleceu devido a câncer testicular.
Na capa, ilustrações dos pilotos Juan Manuel Fangio,
Stirling Moss, Emerson Fittipaldi, Jody Scheckter, Graham Hill, Jim Clark,
Jochen Rindt, Niki Lauda e Jackie Stewart.
E aqui o clipe original, com cenas da F1 dos anos 1970, com
imagens de Lauda, Regazzoni e em especial Jackie Stewart, curiosamente dirigindo
um táxi enquanto Harrison canta a música e toca violão no banco de trás, além
de o piloto escocês figurar em algumas cenas.
Sem dúvidas uma bela homenagem da emissora que até hoje trás grandes lembranças aos nostálgicos, principalmente aos fãs de séries japonesas como Jaspion, Changeman, Flashman, Jiban, Cybercops, Cavaleiros do Zodíaco e tantas outras.